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O POPULAR - Goiânia, 10 de Dezembro de 2008 CD "ESTRADA REAL DE VILLA RICA" - Trilha musical do ouro de Minas
Músico se debruça sobre o período colonial e faz sua trilha da estrada que ligava Ouro Preto a Paraty
Edson Wander Há um projeto em Minas Gerais que pretende recuperar, para fins turísticos, a estrada que escoava o ouro do País no período colonial. A chamada Estrada Real de Villa Rica, que ligava Ouro Preto a Paraty, foi construída entre 1698 e 1705.
Foi um veio aproveitado de tropeiros e índios que, na esteira do escoamento da riqueza mineira, logrou ao Estado um esteio de desenvolvimento social e cultural (cerca de 90% do percurso está em Minas). A trilha musical mais conhecida dessa época é a barroca de nomes como Lobo de Mesquita, Antônio Lopes Serino, Manoel Dias de Oliveira e outros músicos que serviam à igreja e à corte portuguesa. O cantor e compositor Celso Adolfo, um dos melhores nomes da turma pós-Clube da Esquina, inspirado pelo projeto de retomada da Estrada, quis compor uma nova trilha para o período. Uma trilha popular própria, com ecos da harmonia barroca que há muito inunda a produção de música popular no estado. Projeto aprovado em lei de incentivo, Adolfo registrou 18 músicas próprias e com parceiros e uma lista grande de músicos e cantores convidados. Estrada de Villa Rica, o disco, tematiza lugares, passagens e personagens conhecidos e anônimos das várias cidades que a estrada perpassa com seus cerca de 1480 quilômetros. “Nos estudos que fiz sobre a estrada fui juntando minha própria memória e reencontrando gêneros musicais espalhados por todos os lugares que a margeiam”, disse Celso Adolfo sobre o cabedal de ritmos abordados no CD, que vão de uma modinha anônima conhecida de Diamantina (e letrada por ele), samba-de-roda, a folia de reis e o vasto cancioneiro formado na cultura mineira. Para recuperar o roteiro e o vocabulário do período, o músico leu obras que, segundo ele, são referenciais no estudo da estrada. Cita entre elas Os Caminhos do Ouro e a Estrada Real, do professor da UFMG Antonio Gilberto Costa, que assina um texto no caprichado encarte bilíngüe do disco, feito em bonito e diferente formato digipack (em caixinha de papelão). O prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, jornalista e crítico de arte, também assina texto no encarte e cedeu a letra da moderna toada Canoa do Guaicuí, de coro feito por ótimos nomes da nova música mineira (Vander Lee, Maurício Tizumba, Fernanda Takai, Regina Spósito, Marina Machado e outros). É música que faz sonoro par com a abertura do CD, Barcarola Lusitana, canção que reprisa o violão arpejante e a melodia redondinha de Adolfo. A música de verso curto e único saiu do longo poema Entradas e Bandeiras que Celso Adolfo escreveu logo no início da pesquisa para o CD. Além do convidados mineiros, a música conta com a voz do paulista Renato Braz. Outros parceiros de composição no disco são o baixista Iuri Popoff (melodista da folia Catopê) e Leo Minax, mineiro radicado na Espanha, com quem veio novas três faixas, as mais pop e menos interessantes do álbum. Disco temático, esse oitavo trabalho de Celso Adolfo tinha clima para ele aprofundar a sonoridade camerística ensaiada no anterior. Mas ele diz que esse projeto só terá continuidade num próximo CD, já batizado de Colonial. Adolfo estará amanhã em Brasília para um show deste novo disco Disco: Estrada Real de Villa Rica Artista: Celso Adolfo Gravadora: independente Preço médio: R$ 28 |